Publicado por: Marcel | Novembro 30, 2008

Para CHANUKA – A história de Chana e seus sete filhos –

O martírio dessa mãe e seus sete filhos, ocupa um lugar proeminente na história de Chanucá, e tem inspirado várias gerações de judeus.

Antes de deixar Jerusalém e voltar para Antioch, sua capital na Síria, Antiochus nomeou Phillip como governador da Judéia, e ordenou que este cumprisse um programa de decretos anti- judaicos, entre estes “Quem me obedecer, se curvar para a minha imagem, comer carne de porco, e rejeitar a religião da Torá de Moisés viverá, porém aquele que recusar será morto sem piedade!”.

Phillip decidiu iniciar sua campanha com um ato público que demonstrasse a submissão judaica, algo que pudesse quebrar a teimosia do nosso povo.

Philllip prendeu um sábio idoso e respeitado, Elazar o Cohen, e ordenou-lhe, sob pena de morte, que se prostrasse ante a estátua do rei e que comesse da carne de porco que havia sido sacrificado em honra e este. Mas Elazar escolheu morrer como um mártir.

Após esta tentativa frustrada, Phillip prendeu Chana e seus sete filhos.

Apesar de Antiochus já ter deixado Jerusalém e estar a caminho de Antioch, resolveu retornar para participar pessoalmente da execução de seu decreto.

Chana e seus sete filhos foram trazidos a sua presença, primeiramente o primogênito. O rei achou que seria mais sábio alcançar sua finalidade tentando convencer o jovem que se ele fizesse o que o rei estava pedindo, ele seria beneficiado tanto materialmente recebendo várias honrarias.

O jovem respondeu “Por que Sua Majestade se incomoda com tantos preâmbulos, e quer me convencer e me ensinar uma religião abominável? Nossos antepassados já nos ensinaram a Torá Divina e nós estamos prontos para morrer por D’us e sua Torá!”.

Ao ouvir as palavras do jovem, o rei se enfureceu. Ordenou que trouxessem uma frigideira de ferro e que esta fosse colocada sobre o fogo. O rei ordenou ao seu servo que cortasse a língua, mãos e pés do jovem, escalpelasse sua cabeça e colocasse tudo isso na frigideira, enquanto a mãe e seus irmãos eram obrigados a presenciar tal cena. Então, enquanto a vítima ainda vivia, o rei ordenou que colocassem-no numa panela de cobre sobre as brasas, porém quando o jovem estava para morrer, o rei ordenou que tirassem a panela de sobre as brasas para que o sofrimento fosse prolongado.

O mesmo aconteceu com os outros cinco filhos de Chana, até que foi trazido o sétimo filho que ainda era uma criança.

A mãe dessas crianças, a piedosa Chana, de quem todos os filhos foram sentenciados para uma morte trágica no mesmo dia, não sentia medo e nem perdeu a compostura.

Ela recitava salmos e exclamou: ”A mãe dos filhos está feliz, Haleluia” (Salmos 113:9).

Chana ficou em pé corajosamente sobre os membros de seus filhos assassinados que estavam espalhados pelo chão e exclamou: “Minhas crianças, oh minhas crianças! Eu não sei como vocês entraram em minhas entranhas. Eu não percebia seus corpos em meu útero, nem fui eu que lhes dei vida e uma alma. Foi Hashem, D’us de Israel, que os criou. Ele construiu seus corpos, teceu suas veias, cobriu sua carne com pele, aspirou a vida dentro de vocês, e os trouxe à luz de Seu mundo”.

“Agora, já que vocês escolheram dar suas vidas por sua sagrada Torá, morrer uma morte rápida e partir de uma curta vida, Ele vai devolver suas almas a vocês, o sopro da vida e vocês viverão. Vocês serão poupados da morte eterna e herdarão a vida eterna, minhas crianças, e Ele os recompensará pelos seus atos”.

“Vocês são felizes e felizes são seus pais! Que D’us esteja com vocês assim como esteve com seus ancestrais”.

O rei ficou maravilhado com sua coragem e Phillip também ficou estupefato como uma mulher havia triunfado sobre eles.

E disse Antiochus: “Tragam o sétimo irmão, que ainda é uma criança, quem sabe eu posso convencê-lo a fazer minha vontade. Não vamos deixar que uma mulher que se vanglorie, que ela derrotou o rei Antiochus, e que inspire seu filho menor a morrer pela Torá de seu D’us.

E então trouxeram o sétimo irmão, uma criança, perante o rei. Antiochus lhe implorou dizendo: “Faça a minha vontade e eu juro que o apontarei meu vice-rei, você reinará sobre todo o meu império; você será abastado com ouro e prata e minhas posses”.

O menino, desdenhando a proposta do rei lhe respondeu: “Oh você, rei bobo! Como você pode se vangloriar de uma falsa dádiva? Você nem pode imaginar o que acontecerá hoje, como você pode prever o amanhã?”.

Ao ouvir isto, o rei ameaçou o menino com várias torturas caso ele não fizesse a vontade real. O menino respondeu novamente: “Por que você se enfeita do mal, oh poderoso guerreiro? A bondade de D’us é eterna (Salmos 52:3). Apresse-se faça o que disse, não demore. D’us fez meu caminho bem sucedido, deixe-me trilhá-lo”.

Ouvindo as palavras do menino, o rei ficou estupefato. Chamou a mãe do menino e lhe disse: “Boa mulher, tenha dó dessa criança, tenha paixão do fruto do seu ventre! O convença a fazer minha vontade para que sobreviva ao menos um filho seu, e você também será poupada”.

Ela respondeu: “Entregue-me, eu o levarei a uma certa distância de Sua Majestade. Talvez eu consiga convencê-lo”.

O rei aquiesceu e ela o levou a uma certa distância dali, o beijou e disse: “Meu filho! Pense em minhas palavras e entenda-as. Eu o carreguei nove meses no meu ventre, por dois anos eu o amamentei com meu leite, e lhe supri com comida e bebida até este dia. Eu também lhe ensinei o temor a D’us e sua Torá conforme sua habilidade e sua idade. Agora, meu filho! Abra seus olhos e veja o céu e a terra, mar, fogo, água, vento e todas as outras criações. Contemple-as e saiba que com as palavras de Hashem o universo foi criado. Depois, D’us criou o Homem para servi-lo, e para embutir no seu coração o temor a D’us, e Ele o recompensará pelos seus atos”.

“As promessas humanas são vãs e vazias, e não trarão sucesso e nem prevalecerão. Isso não é nada comparado ao mundo vindouro. Agora, meu filho! Não deixe esse impiedoso tirano conquistá-lo com suas promessas, não confie em suas palavras, pois o que ele pode lhe dar? O que um ser humano pode dar quando ele não tem ao menos controle sobre o seu corpo, sobre sua vida? Agora, meu filho! Se você se subjugar a ele, você será salvo temporariamente do seu julgamento, mas como você escapará do julgamento Divino se você trocar sua Torá pelas besteiras do rei? D’us controla sua vida e pode pegar sua alma quando Ele desejar, Ele pode destruí-lo e a todas as criaturas do mundo em um momento”.

“Escute-me e morra por D’us. Faça como seus irmãos”.

“E quanto a mim, meu filho, eu me alegrarei contigo como se eu estivesse participando da sua festa de casamento, deixe-me ter uma parcela de sua santidade e retidão”.

Enquanto ela falava longamente com seu filho, o menino lhe retrucou: “Por que você me faz demorar a me juntar aos meus irmãos? Eu não pretendo obedecer ao rei. Suas palavras e promessas não são nada para mim. Eu prefiro me submeter somente ao jugo da Torá de nosso D’us, que nos foi dada por intermédio de Moisés, nosso mestre de abençoada memória, para Israel, a sagrada nação”.

E então a mãe retornou ao rei e lhe disse: “Ele está em suas mãos, acho que não consegui convencê-lo”.

Novamente o rei disse ao menino: “Oh criança boba! Por que você não segue o meu conselho e faz a minha vontade e assim poupa sua vida?”.

O jovem respondeu: “Oh rei bobo e velho, tirano e inimigo de D’us! Sobre quem você quer se vangloriar, dizendo que triunfou com seus argumentos? Sobre mim, um menino de sete anos, enquanto você tem setenta? Eu creio na Torá de Hashem, nosso D’us a quem você profanou com palavras e atos”.

“E quanto a você, seu rei bobo, onde vai esconder-se do espírito Divino? Oh homem sem lei! Seria melhor se você nunca tivesse deixado o ventre de sua vil mãe que deu a luz a um bobo como você. Você se prejudicou mas nos beneficiou, pois apesar de aqui, nesse mundo, nós sofrermos a dor de seus julgamentos, nós ingressaremos numa vida eterna, num lugar de luz, onde não há escuridão, a um lugar de vida, onde a morte não existe”.

“Mas você vai continuar como uma abominação sobre toda a humanidade, bem longe de D’us. Ele com certeza vai nos vingar e você morrerá de uma morte não natural, sofrendo de várias aflições e dores, você vai afundar num abismo sem fim para um lugar onde não há luz ou vida. Lá você não encontrará consolo nem paz, essa será sua parte de meu D’us como merece alguém tão pecaminoso”.

O rei, enfurecido por sua vontade não ter sido cumprida, ordenou que o menino fosse morto de forma ainda mais cruel que seus irmãos.

Conforme a versão desta história no Talmud (Gitin 57a), Antiochus ofereceu ainda uma chance para o menino:

“Eu jogarei o meu anel na sua frente, e quando você se curvar para pegá-lo, as pessoas pensarão que você se curvou para mim e aceitou a minha autoridade”.

Mas o pequeno menino lhe respondeu: “Oh rei, se o seu auto-respeito é tão importante para você, quão maior é o respeito devido ao Todo-Poderoso!!!”.

Quando estavam levando-o para ser morto, sua mãe suplicou “dêem-no para mim, para que eu possa rapidamente beijá-lo”.

Ela lhe disse como se estivesse falando a todos os seus sete filhos:

“Minhas crianças vão e digam ao seu ancestral Avraham, você colocou somente um filho sobre o altar, mas eu sacrifiquei sete filhos sobre os altares”.

Então, a mãe – santa e misericordiosa Chana, que era única em sua devoção, prostrou-se na frente dos sete corpos – de seus sete filhos e levantou suas mãos para o céu. E Chana rezou dizendo: “Meu coração se exulta em Hashem, meu orgulho foi elevado por D’us, pois através de meus filhos Ele escolheu reconsiderar sua pena contra seu povo, que eles sejam novamente seus servos”.

“Minha boca abre-se contra meus inimigos, pois eles não foram capazes de convencer nem ao menos um de meus filhos a idolatrar seus deuses, que não valem para nada. Não há nada tão sagrado como Hashem, e nada fora Ele que é o salvador das almas que nele confiam”.

“D’us, que está acima de todas as forças, D’us do universo. Hashem, por favor, Hashem, dê-me sucesso agora e recolha minha alma e não deixe o inimigo rir-se de mim”.

“Mostre-me o lugar que você designou para seus servos, meus filhos, que morreram pela santidade da sua Torá, e dê-me um lugar junto a eles. Todas as criaturas vão glorificá-lo e eu juntamente com eles”.

Quando ela terminou sua súplica e de despejar seu coração à D’us, sua alma partiu e seu espírito a abandonou. Ela caiu sobre os corpos de seus filhos e lá ficou com eles.


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