Algumas dessas histórias foram traduzidas LIVREMENTE do livro “Malachim Kivnei Adam”
Toda planta diz algo……..
Assim escreve Rav Aryeh Levin em suas recordações: lembro-me dos tempos antigos, do ano de 1905 quando tive o mérito de subir à terra santa, à cidade de Yaffo com a graça divina. Primeiramente, fui visitar o Rav Avraham Itschak haCohen Kook zt”l – o qual me recebeu com a sagrada e costumeira cordialidade que tinha para com todos. Após a reza de Minchá, nosso mestre saiu para passear no campo como era seu sagrado costume, para condensar suas idéias e eu o acompanhei. No caminho, arranquei alguma erva ou plantinha. Nosso mestre estremeceu e em seguida disse-me suavemente: “acredite-me que em toda minha vida jamais arranquei alguma planta ou erva sem necessidade pois: “Não há sequer uma planta em baixo que não tenha um Mazal (signo, anjo) em cima que lhe diz constantemente : cresça !’. Toda erva diz algo, toda pedra sussurra um segredo, toda criatura fala um canto.” Aquelas palavras que saíram de seu coração puro e sagrado ficaram gravadas profundamente em meu coração e a partir de então tornei –me mais sensível, passei a ter mais compaixão com qualquer coisa.
Certa vez também passeou com o nosso mestre seu irmão, o Rav Shmuel. Eles sentaram para descansar embaixo de uma árvore, que por sinal não dava frutos. O Rav Shmuel arrancou um ramo dela. Nosso mestre estremeceu e em seguida disse-lhe: “o que fizeste? Há valor em tudo que está plantado na Terra. O que plantamos hoje dá vida à terra. Eis que as quatro espécies que agitamos na festa de Sucót – a festa da colheita – são um símbolo dos frutos da Terra, e a razão que agitamos o Salgueiro (Aravá) dentre elas é para nos ensinar que inclusive as arvores que não dão frutos também têm seu valor……….”
No massacre de Hebron
Quando ficou sabendo do massacre daquelas puras e sagradas almas, ele caiu no chão e desmaiou. Depois, quando recuperou a consciência, chorou amargamente e rasgou suas vestimentas pela Casa de Israel e a nação de Hashem que tombaram pela espada.
Ele então se esfregou no pó da terra e disse: “Baruch Dayan HaEmet”(Bendito seja o Verdadeiro Juiz). Depois, durante algum tempo, ele comeu comida de enlutado, bebeu suas amargas lágrimas, e se recusou a por um travesseiro de baixo de sua cabeça. Desde então, a velhice avançou sobre ele, e começou a sentir terríveis dores. Isso trouxe a doença fatal da qual jamais se recuperaria.
Rabi Betzalel Zolti (que depois se tornou o Rabino Chefe de Jerusalém) acrescentou: Meu mestre e meu professor, Rav Yechezkel Sarna, diretor da Yeshiva de Hebron, uma vez me disse: “Deixe-me lhe mostrar quão profundo era o amor do Rav Kook pelo Povo Judeu.” Quando a grande tragédia ocorreu, e os alunos da yeshiva foram massacrados no sangrento pogrom de Hebron, eu já era um dos diretores da Yeshiva; e eu conhecia muito bem os jovens.
Quando eu recebi as amargas noticias, fiquei absolutamente chocado. Meu coração se contraiu com aflição, e a dor era insuportável. Contudo, eu não desmaiei. Quando o Rav escutou o que havia acontecido, ele desmaiou e caiu no chão. “Sua dor e seu choque foram maiores e mais profundos [do que o meu]”. 
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