Publicado por: Marcel | Agosto 5, 2008

” … E VEJO O ESPLENDOR DE JEUSALÉM”

A Terra de Israel foi escolhida por D’us antes de surgir o povo de Israel, com a finalidade de lá instalar o povo eleito. E disse D’us a Abrahão o Patriarca do Povo: “Sai-te da tua terra… para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis-12-1) e esta é a terra de Canaan, e hoje terra de Israel.

E esta mesma Terra prometeu D’us aos três Patriarcas: Para Abrahão: “A tua semente darei esta terra” (Gênesis, 12-7) à Isaac “porque a ti e a tua semente darei todas estas terras… que tenho jurado a Abrahão” (Gênesis – 26-3) e disse a Jacob quando saia de Canaan: “esta terra em que estas deitado, darei a ti a tua semente” (Gênesis – 28-13).

Por que foi escolhida a Terra de Israel para o povo de Israel? Devido a proximidade da Presença da Glória Divina a ela pois foi dito: “os olhos do Senhor teu D’us estão sobre ela continuamente, desde o principio até o fim do ano” (Deuteronômio – 11-12), também devido o seu clima estável que exerce influência sobre as atividades espirituais para que estejam na medida, no ritmo e na harmonia.

Pois, uma muda escolhida, apesar de possuir suas qualidades e apesar dos cuidados que lhes são prestados, ela não dará bons frutos se a terra para esse fim não for escolhida de acordo com as necessidades exigidas pela planta. E a Terra de Israel é o campo próprio da muda escolhida, isto é onde o povo de Israel deve se instalar. “Porque o vinhedo do Senhor das Hostes é a casa de Israel… a planta de suas delícias” (Isaias – 5-7). E o povo de Israel não poderá alcançar a altura espiritual imposta por D’us sem este lugar, pois neste lugar é que o povo deverá cumprir as 613 leis, incluindo as leis que tem ligação com a terra como: ano sabático, etc.

O envio de sacrifícios nos tempos em que existia o Templo de D’us, completava o cumprimento de todas leis.

Com o erguimento do Templo de D’us foram proibidos os sacrifícios em todos os outros lugares, pois foi estabelecido um único lugar para tal, só em Tzion, isto é, Jerusalém.

“Pois escolheu D’us Tzion, desejava-a para sua morada” (Salmos). E o lugar do sacrifício também foi estabelecido e acrescenta o Rambam, sua lembrança seja abençoada, que neste mesmo lugar ofereceu Noé um sacrifício a D’us ao sair da Arca; neste mesmo ponto ofereceram os Patriarcas seus sacrifícios e Jacob em seu caminho a Charan chegou neste lugar ao anoitecer e lá se estabeleceu para passar a noite, e ao ver as imagens do sonho, despertou e disse: “Quão temível é este lugar; é a casa de D’us e a porta dos Céus” (Gênesis 28-17).

Assim sendo, somente na terra de Israel pode-se chegar na prática à perfeição. Pois nela se encontra o Templo de D’us de baixo que é endereçado ao Templo de D’us de cima, isto é, do Céu, e sem ela não podemos chegar ao nível espiritual de aproximação do nosso Criador.

Por isso é que as profecias surgiram só nela ou devido a ela, pois este é o nível espiritual mais elevado ao qual o homem pode alcançar.

E como prova que só nela é que surgiram as profecias, temos o Profeta Jonas que tentou fugir de Israel a Tarshish para que não precisasse dar a sua palavra as pessoas de Ninve.

E assim, todos os profetas receberam a Palavra de D’us somente nela. D’us dirigiu sua palavra a Abrahão em Charan perto do rio Eufrates, mas pelos limites da Promessa feita por D’us a Abrahão, este também faz parte de Israel. Moshé viu a aparição de D’us no Deserto de Paran que também é incluído nas terras de Israel. E quando o povo se encontrava em sua terra, eram as profecias ditas só lá.

A terra de Israel tem um qualificativo especial, como foi dito sobre Kain: “Retirou-se Kain da presença do Senhor” (Gênesis 4-16) e, pela nossa tradição, morou em Israel. E no livro de Jonas, que tentou fugir da profecia foi dito “Levantou-se Jonas para fugir da presença do Senhor” (Jonas 1-3).

Uma força espiritual peculiar é encontrada nos ares de Israel, onde a Divina Providência está sempre presente e esta é a fonte da inteligência de Israel pois já disseram nossos sábios: “O ar de Israel torna o homem mais sábio”.

Também pelas últimas descobertas arqueológicas históricas, soube-se que a cultura e arte grega foram influenciadas diretamente por Israel quando estiveram estabelecidos no Oriente.

O povo de Israel não foi somente privilegiado com a parte espiritual mas também recebeu uma benção de D’us na parte material para que tenham tudo em abundância, e isto virá facilitar-lhe a chegar a sua finalidade, que é o cumprimento das leis, e, podendo assim chegar ao nível espiritual de aproximarem-se da Providência de D’us e, assim, à profecia, como foi prometido por D’us: “Terra que nada te faltará nela”. (Deuteronômio 8-9). “Terra que foi abençoada com… ribeiros de águas… terra de trigo e cevada, de videiras, figueiras e roseiras, terra de oliveiras, azeite e mel… terra cujas pedras são ferro e de cujos montes cavarão o cobre”, (Deuteronômio 8-7).

Então, que terra poderá ser mais perfeita que esta?

Como tal, devemos honrar a terra Sagrada que foi escolhida por D’us devidamente, como souberam valoriza-la nos lábios de todas as gerações, e seu amor a ela era puro e verdadeiro e por esta dedicação encontraram provas de elogio à Terra de Israel na Bíblia. Das palavras de Isaias: “e espírito aos que percorrem-na” e disseram: “Todo homem que percorre quatro côvados na Terra de Israel está garantido que ele terá sua parte, no Outro Mundo”, basearam-se também nos Salmos de David “Dormirei no deserto” (Salmos 55-8 ) e disseram: “Preferível é dormir nos desertos da terra de Israel que dormir nos palácios fora dela” e assim citaram outros inúmeros.

Tempos depois, tentaram alguns sábios de Israel sair da terra, mas com a finalidade Divina como: Rabi Eliezer Ben Shamua e Rabi Iochanan Hasandlar que foram a Netzivin para estudar Torá da boca de Rabi Iehuda Ben Batra e ao chegarem à Fenícia lembraram-se de Israel e choraram, citando a Bíblia. “E vocês a herdarão e lá se estabelecerão e guardarão e cumprirão todas as leis” e voltaram para Israel e baseando-se nesta citação disseram: “Morar em Israel eqüivale a todas as leis da Torá”.

Passaremos adiante lembrando os que amavam Tzion com sinceridade e chegaremos até Rabi Iehuda Halevi que vivia no século XI e não achava satisfação em sua vida e sua alma reclamava ainda na Espanha: “Meu coração encontra-se no Oriente e eu no fim do Ocidente” na sua canção: “Pois pergunte”.

Ele não via a hora de estar no lugar em que pisaram os profetas e lá onde receberam a aparição de D’us.

E para gozar disso ele estava pronto a perder tudo que lhe era caro na Espanha e mudar-se definitivamente para Israel, pois, “Nada é aos meus olhos todo o bem da Espanha como me é caro ver as terras Sagradas”.

Sobre a santidade da terra ele diz: “Lá a Providência é sua vizinha e seu Criador abriu seus portões defronto os portões do Céu”.

Rabi I. Halevi partiu para a Terra Santa; há os que dizem que ele chegou até o Egito a caminho de Israel e lá faleceu, mas outra versão diz que ele chegou a Israel, mas que perdeu a vida nos portões de Jerusalém, quando um cavaleiro árabe passou-lhe por cima quando este encontrava-se abaixado beijando a terra sagrada pois queria cumprir as palavras da citação: “E quererão bem teus fiéis suas pedras e amarão sua areia…”.

Nem mais tarde foram interrompidas as imigrações a Israel da parte dos sábios como os 30 Rabinos na época do Rabi Iechiel, de Paris, mesmo encontrando-se a terra com escassa população e com falta de alimentação; e a imigração de grandes “Kabalísticas” que se estabeleceram em Safad, apesar de Israel se encontrar sob a tutela de estranhos em condições precárias de colonização.

No último século, quando Israel se encontrava nas mãos dos turcos, Rabi Iehuda Alkalai e Rabi Tzvi Hirsh Kalisher e outros concretizaram a lei de estabelecer-se em Eretz Israel, sobrepujando todos os obstáculos que lhes surgiram no caminho e preocuparam-se com o financiamento e erguimento da terra com a ajuda do Barão Rothschild e suas atividades são rememoradas com elogios.

Os primeiros pioneiros que concretizaram a idéia de estabelecer-se em Israel, foi um pequeno grupo de famílias religiosas que viveram em Jerusalém e eram denominados “Os guardas das Muralhas”. Seus esforços não serão esquecidos nunca, pois foram eles que fundaram a mãe das colônias “Petach Tikva” e “Nachalat Shivá”, ao lado de Jerusalém, que estava em perigo devido o ataque de árabes.

Emocionados secaram o trigo, fruto de seu esforço, deixaram no campo Leket, Shikchá e Peá, e separaram as “Terumot Umassrot”, conforme a lei, e não deixaram de cumprir as leis ligadas à terra.

E destes é que nós devemos tomar o exemplo pessoal do verdadeiro amor a Tzion.

Rivka Koslovski 
formada do Seminário, da 1º turma do Centro de Educação Religiosa Judaica (1957-59).


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