Publicado por: Marcel | Agosto 4, 2008

O Pecado dos Espiões de nossos dias – Pelo Pensamento do Rav Kook

As dúvidas a respeito da vantagem de Eretz Israel

Disseram nossos sábios (Ketubot 110,b) “Todo aquele que mora na Terra de Israel se parece como se tivesse D’s, e todo aquele que mora fora de Eretz Israel se parece como se não tivesse D’s”. E mais disseram lá: “Todo aquele que mora fora de Eretz Israel é como se estivesse fazendo idolatria”. E muitos perguntam, porque os nossos sábios deram tanta importância ao assentamento em Eretz Israel? É sabido que há uma Mitzvá da Torá de assentar a Terra, mas chegar a tal ponto, de que quem mora fora de Eretz Israel é como alguém que estivesse fazendo idolatria – isso é difícil de entender.

 

A crença da unicidade é revelada na Terra de Israel

É uma base da crença judia o conceito da unicidade. D’s criou o mundo inteiro, seus lados materiais e seus lados espirituais. Fora da Terra de Israel é possível servir D’s do lado espiritual, mas o lado material não se encaixa muito bem ao serviço de D’s. A Terra de Israel foi especialmente criada para que pudéssemos revelar nela a Palavra Divina – e mesmo que ela é uma Terra material ela é Santa – e através dela irá se espalhar a santidade para o mundo inteiro. E até a completa redenção, existem impurezas fora da Terra de Israel. Por isso, no modo de servir D’s fora da Terra de Israel, há uma antítese entre o mundo espiritual e o mundo material, e não há possibilidade de cumprir do devido modo a Tora e seus mandamentos sem certo estranhamento com o mundo material.

Há nisso um grande defeito, conforme escreveu o Rav Kook z”l: “A Santidade na natureza é a Santidade de Eretz Israel, e a Presença Divina que desceu no exílio do Povo Judeu, é a aptidão de impor a Santidade contra a natureza. Porém a Santidade que luta contra a natureza não é uma Santidade completa…” (Orot Hatchiá, 28 )

E é isso que disseram nossos sábios, que todo aquele que mora fora da Terra de Israel é que nem que estivesse fazendo idolatria, porque ele diz se é possível, que D’s só se revela no campo espiritual, e já a materialidade e a natureza são estranhos em seu serviço. E essa é a idéia da idolatria, como se houvesse dois campos. Mas nós acreditamos em um único D’s, e a crença da unicidade é possível revelar somente em Eretz Israel. Aqui, também no trabalho da terra há uma Mitzvá. Aqui, também no desenvolvimento da indústria e do comércio há uma Mitzvá (Chatam Sofer Suca 36).

Por isso aquele que mora em Eretz Israel é que nem que tivesse D’s, e ele revela que D’s preenche a Terra inteira.

 

O Pecado dos espiões

Como é sabido, os espiões eram pessoas muito importantes, “Todos os homens eram líderes dos israelitas” (Números, 13;3) e no final, pecaram e fizeram os outros pecarem. Há a necessidade de analisar o fundamento de seus argumentos, que por causa deles desceram e caíram, até que no fim causaram uma catástrofe para as gerações. Pois como é sabido, senão fosse pelo pecado dos espiões, Moshe teria entrado com Israel para a Terra e teria construído o Templo Sagrado, e assim o Povo Judeu não teria ido para o exílio.

Os espiões pensaram que a vida no deserto era mais santa e elevada, pois nele não se ocupam com assuntos mundanos e materiais. No deserto não é necessário semear, plantar e colher. Não é necessário se ocupar na construção de estabelecimentos do governo. Não é necessário se ocupar com criação e confecção, afinal as roupas não estragam, e sendo assim é possível permanecer como um estudioso de Yeshiva durante a vida inteira. Mas a verdadeira santificação do nome de D’s é quando o assunto Divino se revela em todos campos da vida, tanto espirituais como materiais.

Sobre isso escreveu o Admor Hazaken (Likutei Tora Shlach Lecha 38, 2), que eles não quiseram entrar na Terra de Israel, e argumentaram “para que é necessário descer ao mundo da ação, afinal é possível cumprir a Tora e as Mitzvot na espiritualidade, e não na materialidade”. Mas na verdade estavam errados, pois o principal é cumprir na Terra. Como disseram nossos sábios (Sota 14,a) quantas rezas Moshe rezou para entrar em Eretz Israel. E perguntaram: “Ele precisava entrar para comer de suas frutas? Mas sim para cumprir as Mitzvot que dela dependem.”. Pois o cumprimento das Mitzvot na Terra de Israel é a maior Santificação do Nome de D’s, e por isso ele revela uma luz muito maior do que a vida espiritual somente.

 

Medo e falta de Emuná

Através do defeito no entendimento do valor de Eretz Israel eles chegaram também a um segundo pecado, que é o medo e a falta de confiança no Eterno. Possivelmente, pensaram que D’s pode fazer milagres para pessoas santas que vivem uma vida acima de nossa vida mundana, mas para um povo que vive nesse mundo D’s não ajuda. E talvez, possivelmente D’s nos livre, Ele não é capaz de ajudar.

O preceito de assentar a Terra de Israel é super especial, pois ela combina dentro dela o fator da crença com o fator real. Não somos obrigados a conquistar Eretz Israel quando não temos força. Mas aquele que não o faz por falta de confiança no Criador, sempre pensará que ele não tem forças de conquistar Eretz Israel, e estará caindo no pecado dos espiões.

 

Kol Hator

No santo livro “Kol Hator”, do Gaon Rav Hilel Shiklover, aluno do G”ra, são trazidas palavras fundamentais e importantes do Gaon de Vilna sobre o preceito de assentamento da Terra de Israel e sobre o processo da redenção.

E no capítulo 5, explicou o pecado dos espiões que tiveram nojo da graciosa Terra e provocaram um choro para as gerações, a destruição do Templo Sagrado e o exílio de Israel. Por isso o conserto do pecado depende da construção de Jerusalém e do Templo Sagrado. E escreve: “Em meio aos nossos muitos pecados, muitos são aqueles que pecam o grande pecado de ‘E tiveram nojo da Terra graciosa’. Também muitos grandiosos da Tora não souberam e não entenderam que foram pegos pelo pecado dos espiões. Foram arrastados pela impureza do pecado dos espiões através de um monte de argumentos desprezíveis e falas falsas, baseando seus argumentos na desmentida opinião de que não há o preceito de assentamento da Terra de Israel nos nossos dias…

Esses espiões querem ser maiores do que nossos sábios Tanaim e Emoraim que decretaram que a Mitzvá de assentar a Terra de Israel vale que nem todas as Mitzvot da Tora”, e como diz o Ramban e o Tosfot Yom Tov, e o Sh’ela. “E quem é tão grande em nossa nossas gerações como o Gaon de Vilna, Santo de Israel, que com palavras talhadoras incentivou seus alunos a subirem para a Terra de Israel e se ocuparem com a reunificação dos exílios, e a apressar o fim revelado, aproximar o dia da redenção através do assentamento de Eretz Israel. Quase todos os dias disse nosso rabino com emoção ‘em Tsion e em Jerusalém haverá sobrevivência’. E há uma necessidade de enfatizar que essas palavras foram ditas 150 anos antes do holocausto.” (veja em suas palavras no ‘Hatkufa Hagdola, pág 534, 535).

 

Precisarão prestar contas

No ano de 5693 ou 5694 veio visitar a Terra de Israel um dos grandes sábios de Kishnov, o Rav Moshe Hinshferg. Antes de voltar para a Romênia ele veio acompanhado do Rav de Teflik se despedir do Rav Kook. O Rav falou com tremor sobre o triste fato de que os homens da Tora não incentivam a congregação ultra-ortodoxa a subir da Galut para Eretz Israel. E ele lhe disse: Digam para os rabinos e santos homens que eles terão de prestar contas. Chegam até eles judeus para se aconselhar onde morar, e eles os mandam para todas as montanhas da escuridão, menos para Eretz Israel que não mandam! Diga para eles que eles precisarão prestar contas sobre isso! (Chaye Haraia, 193). O Rav tinha muitas fontes para suas palavras, e entre elas, Or Hachaim Hakadosh (Levítico 25,25).

 

Como antes, assim é hoje

Os espiões vieram com argumentos sobre a segurança, que o Povo Judeu não iria conseguir conquistar a Terra de Israel. “Nós não podemos avançar contra aquele povo, pois são mais forte que nós!” (Números, 13;31). Eles fizeram com que toda congregação reclamasse de Moshe e Aharon, que se é possível os estavam colocando em perigo, e que poderiam fazer com que todos morressem na guerra da conquista de Eretz Israel, e assim disseram: “Porque D’s nos está trazendo para essa terra, para morrermos pela espada? Nossas mulheres e filhos serão cativos! Seria melhor voltarmos para o Egito!” (Números, 14;3). No final das contas, todos aqueles realistas morreram no deserto, e o Povo Judeu foi impedido de entrar em Eretz Israel durante 40 anos, e mesmo Moshe Rabenu não pode por causa disso entrar em Eretz Israel e fundar um reinado de Israel sob a luz da Tora, de um jeito que jamais sucumbirá.

Também hoje ficou claro, que aqueles que argumentam que por causa de medidas de segurança, econômicas e sociais, o abandono de terras sagradas trará paz e segurança, não somente estão atingindo a Santidade de nossa graciosa Terra, como colocaram em perigo a segurança e a paz de todo Israel.

 

O Louvor dos Colonos

Em contrapartida, os colonos de Jerusalém e de Yesh’a e de toda a extensão da Terra de Israel com Messirut Nefesh (abnegação) adoçam os sofrimentos, e em seu mérito virá a paz e a tranqüilidade, e como as palavras do Kol Hatur no capítulo 5, que através da extensão do assentamento – “extenderá o lugar de suas tendas”, “para a direita e para a esquerda você te expandirá” e mereceremos “sua descendência herdará nações”. E através de “Cidades abandonadas assentarão” mereceremos a benção ” com grande piedade te reunificarei” (Isaías 54).

 

Sofrimentos de Eretz Israel x Sofrimentos do Exílio

No ano de 5684, quando o Admor de Drohovitch ficou doente, o Rav Chaim Meir Yechiel Shapira z”l, veio o Rav Kook z”l visitá-lo. Disse o Rabi: Os chassidim (devotos) me perguntaram, porque estou me apressando tanto para subir da Polônia para Eretz Israel, afinal aqui tem tantos sofrimentos para os judeus! Eu respondi para eles: Na Polônia perseguem os judeus porque eles são muitos, e em Eretz Israel perseguem os judeus porque eles são muito poucos. O Rav Kook respondeu: Também me perguntaram isso, e eu respondi que há dois tipos de doença, a doença que provem da velhice que todos a temem, e a doença que provem do parto, que apesar de todos os perigos existentes no parto todos se interessam. Os sofrimentos do exterior são doenças de velhice e degeneração, mas os sofrimentos de Eretz Israel – são sofrimentos do parto…”(Chaye Haraia 192)”.


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